Paramore – Discografia (2005-2017)

Antes de começar propriamente o texto deixo um disclaimer de que o que será exposto a seguir se trata única e exclusivamente de minhas experiências pessoais – perdão pelos seguidos pleonasmos – e que a análise pode parecer demasiado elogiosa em alguns pontos e omissa em outros.

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Paramore é uma banda originada na cidade americana de Franklin, no Tennessee, atualmente composta pela vocalista Hayley Williams, pelo guitarrista Taylor York e pelo baterista Zac Farro.

O estilo dos álbuns da banda não é constante e sofreu variações, graduais diga-se de passagem, ao longo da existência do conjunto. No entanto, é possível agrupar os três primeiros produtos de Hayley & Co. na mesma categoria, “All We Know is Falling”, “Riot!” e “Brand New Eyes” seguem a linha rock alternativo puxado para o emo.

AWKF se distancia um pouco por seguir o conceito clássico original de emo, ou seja, música hardcore com letras emotivas. Esse estilo se deu entre o fim dos anos 90 e começo dos 2000 e os representantes são bandas como Death Cab For Cutie e Jimmy Eat World, esta última uma das principais influências musicais de Hayley Wiliams.

Enquanto o segundo e terceiro discos da banda seguem a vertente pop do emo, o qual fizeram parte Green Day, em uma das fases do grupo, e My Chemical Romance, conjunto já extinto.

O quarto e homônimo álbum do Paramore marca uma transição dos músicos de Franklin, a banda se distancia do rock alternativo que era o default deles e a influência do pop cresce. Em After Laughter, obra mais recente, esse processo de transmutação é concluído e a banda fica mais perto do indie pop de Two Door Cinema Club do que do rock alternativo de Jimmy Eat World.

Também contribui para as constantes mudanças de estilo o fato de que não há dois álbuns que a banda tenha a mesma formação, a única constante do primeiro até o quinto é Hayley como vocalista.

Nas próximas linhas comento de maneira geral sobre cada disco.

All We Know is Falling (2005)

Integrantes: 

Hayley Williams – vocais e teclado

Josh Farro – guitarra e vocais

*Jason Bynum – guitarra e vocais

Josh Henbree – baixo

(não continuaram na banda depois do primeiro álbum)*

Zac Farro – bateria

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Como já explicado, All We Know is Falling é aquele emo clássico. Aqui há uma Hayley bastante jovem, com 16 anos, e que já mostrava um talento musical muito raro. Os irmãos Josh e Zac Farro também entregaram um excelente trabalho na guitarra e bateria respectivamente.

Há excelentes composições nesse disco de estreia, cuja responsabilidade é em maioria de Hayley, mas que também teve a participação de Josh e do Taylor York, que futuramente viria a ser membro da banda.

O destaque vai para as canções “Conspiracy”, primeira música feita pelo Paramore, “Never Let This Go”, “Here We Go Again” e “Brighter”. Elas conseguem transmitir de uma maneira bastante tocante uma melancolia gostosa de sentir

O crédito não é só das letras, mas também de todo o arranjo musical, que contribui para que o ouvinte sinta de verdade ao entrar em contato com essas faixas. A participação de Josh Farro nos vocais de apoio também é algo incrível, principalmente na faixa “Franklin”, uma pena que os álbuns seguintes não tenham aproveitado esse potencial dele.

Outros destaques: Emergency, Pressure e My Heart.

Riot! (2007)

Integrantes:

Hayley Williams, vocais e teclado

Josh Farro, guitarra

Jeremy Davis, baixo (já participou da banda, mas saiu antes do lançamento do primeiro álbum, voltou no Riot!)

Zac Farro, bateria

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Neste álbum o Paramore se consolida na cena mainstream, é dele que vem sucessos como “Crushcrushcrush”, “Misery Business” e “That’s What You Get”.

Por seguir uma característica comercial, há no Riot! um downgrade na qualidade da composição das músicas em relação ao disco de estreia. No segundo álbum, as letras das canções dão destaque para relações e problemas típicos da adolescência, “MizBiz” é um exemplo claro disso.

Apesar de mais raros, há também exemplos de composições mais profundas, como “Let The Flames Begin”e “Hallelujah”, que tratam sobre religiosidade, e “For A Pessimist I’m Pretty Optimistic”, que fala de uma forma original sobre persistência.

Outros destaques: Miracle, Born For This e When It Rains.

Brand New Eyes (2009)

Integrantes: 

Hayley Williams, vocais e teclado

*Josh Farro, guitarra

Zac Farro, bateria

(saem da banda após este álbum)*

Jeremy Davis, baixo

Taylor York, guitarra (após acompanhar a banda como substituto em algumas turnês, se torna membro efetivo a partir deste álbum)

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Junto com o Riot! este é o álbum que mais abusa da guitarra, a adição de Taylor York ao grupo aumenta bastante a qualidade da sonoridade.

As composições voltam a ser boas, há uma união da melhor característica do AWKF, as letras, com a melhor do Riot!, o arranjo da guitarra.

Destaque vai para “Looking Up”, “Where the Lines Overlap”, “Careful” e “Playing God” com ritmos agitados e letras que remetem as dificuldades internas vividas pela banda, visto que havia conflitos entre os colegas, principalmente Hayley e Josh, que já namoraram.

A melancolia de “Misguided Ghosts” chama bastante atenção neste trabalho. Ela possui uma das letras mais belas e também tristes que já ouvi, além do piano de Hayley servir como amplificador dessas características.

Outros destaques: The Only Exception, Turn It Off, Ignorance e Feeling Sorry.

Paramore (2013)

Integrantes:

Hayley Williams, vocais

Jeremy Davis, baixo (sai da banda após este álbum)

Taylor York, guitarra

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O período entre o Brand New Eyes e o álbum homônimo  – cinco anos – era até então o maior intervalo de tempo sem o Paramore produzir um disco. Depois desse tempo de hiato eles surgem como algo novo, flertam bem mais com a música pop e experimentam pela primeira vez influências indie.

Músicas como “Now” e “Still Into You” podiam muito bem ter sido feitas por divas pop como Katy Perry, assim como os interlúdios “Holiday”, “Movin’ On” e “I’m Not Angry Anymore” se assemelham com o indie pop.

Em entrevistas, Taylor, um dos compositores, declarou que ouvia bastante Alt-J durante a produção do homônimo, possivelmente isso se traduziu nos interlúdios presentes no disco.

“Part II” faz referências diretas a outras canções da banda, como Let The Flames Begin, do Riot!, e “Monster Outro”, canção não presente em álbuns e que a banda só apresenta ao vivo.

Ainda que mais raras, as guitarras dos dois álbuns anteriores não foram extintas, elas estão presentes em faixas como “Proof”, “Grow Up” e “Anklebiters”.

Outros destaques: Last Hope, Hate to See Your Heart Break e (One of Those) Crazy Girls.

After Laughter (2017)

Integrantes:

Hayley Williams, vocais e teclado

Taylor York, guitarra

Zac Farro, bateria (volta para banda depois de ter saído em 2010)

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Esta é uma obra de duas faces, ao mesmo tempo que as melodias agitadas remetem a uma sensação de alegria, as letras apontam na direção inversa. Como indicam as declarações da própria Hayley, esse álbum é sobre dançar e se divertir enquanto o seu mundo interno está cheio de aflições e desesperos.

“No Friend” é a faixa mais outsider, ela é mais barulhenta, possui mais ruídos e talvez seja o trabalho mais experimental produzido pelo Paramore. Assim como em “Franklin”, do AWKF, a banda resolve explorar outro vocal além da Hayley Williams, no entanto a faixa do After Laughter inova por também ser a única que a Hayley não canta, apesar de ainda estar presente na composição.

Aaron Weiss, vocalista da banda MeWithoutYou, faz o vocais dessa música. Um aviso,  ela talvez não seja uma canção agradável de ouvir nas primeiras vezes, mas vale a persistência, já que seu valor se revela quando há uma maior familiaridade.

O resto do álbum segue mais ou menos a mesma linha, ritmo indie pop e letras depressivas. “Idle Worship” é a melhor do álbum, possui uma melodia contagiante, além da composição abordar expectativas e idolatria de uma maneira ao mesmo tempo que lúdica, profunda.

Outros destaques: “Hard Times”, “Rose Colored Boy”, “Fake Happy”, “26” e “Pool”.

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Courtney Barnett – Tell Me How You Really Feel (2018)

Nesta peça é observado o amadurecimento daquilo que já tinha sido apresentado por Barnett no seu álbum de estúdio de estreia, o Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just Sit (2015)Ou seja, o estilo grunge repaginado para parecer o que chamamos atualmente de indie não só continua presente, como também as letras das canções estão mais bem trabalhadas.

Não que as composições do seu álbum de estreia sejam ruins ou amadoras, mas o temas agora estão abordados de maneira mais complexa. O disco de 2015 trata predominantemente sobre depressão, lidar com expectativas e temas caros a juventude, assuntos exemplificados em faixas como Depreston, Elevator Operator, Debbie Downer Pedestrian at Bestque não raro viraram clipes com muito bom-humor.

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O THYRF, além desses temas, também acrescenta discussões sobre feminismo, algo presente em I’m Not Your Mother, I’m Not Your Bitch Nameless, Facelesso primeiro single do álbum cujo refrão “I wanna walk through the park in the dark, men are scared that women will laugh at them, women are scared that men will kill them” faz referência ao livro “O Conto da Aia”, de Margaret Artwood, que deu origem a série Handmaid’s Tales, do streaming Hulu.

Algo que ilustra bem o aprimoramento da composição das letras desse álbum é a primeira estrofe de City Looks Pretty. Ela retoma o tema de auto-isolamento e depressão bastante presente em todos os ábuns de Barnett, incluindo o EP A Sea of Split Peas (2013) e o álbum que lançou junto com Kurt Ville, Lotta Sea Lice (2017), e faz isso de uma maneira mais profunda, com  letras  não só mais reflexivas, como também mais impactantes:

The city looks pretty when you been indoors

For 23 days I’ve ignored all your phone calls

Everyone’s waiting when you get back home

They don’t know where you been

why you gone so long

Friends treat you like a stranger and

Strangers treat you like their best friend, oh well

Spare a thought for the ones that came before

All in a daze bending backwards to reach your goal

Além disso, Tell Me How You Really Feel chega para equilibrar as obras de Barnett, permitindo que elas sejam subdividas igualmente em discos com melodias mais introspectivas (Sea of Split Peas e  Lotta Sea Lice)  e outros que não economizam no uso da guitarra (Sometimes I Sit and Think and Sometimes I Just SitTell Me How You Really Feel).

Em linhas gerais, o álbum mantém a essência seguida até agora pela carreira da jovem australiana de 30 anos, com o diferença dos anos de estrada na carreira musical terem feito as suas produções ficarem mais amadurecidas e com uma consequente maior qualidade.

Outros destaques do lançamento são Walkin’ On Eggshells, Crippling  Self Doubt and General Lack of Self-Confidence, Need a Little TimeCharity. 

The Vaccines – Combat Sports (2018)

Neste novo do The Vaccines há um retorno da pegada dos dois primeiros discos (What Did You Expect From The Vaccines, de 2011, e Come Of Age, de 2012). O álbum apresenta um ritmo bem dançante e não economiza no uso das guitarras.

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Em  Combat Sports eles tomam um caminho bem diferente daquele que era indicado pelo English Graffiti, seu lançamento de 2015 no qual predominava melodias muito mais melancólicas e era mais introspectivo. Se no What Did You Expect… ninguém esperava nada por não saber quem era a banda e por isso foram surpreendidos positivamente, EG causou o efeito inverso por mudar o que o conjunto vinha fazendo e desagradou a base de fãs dos Vaccines.

Justin Young e sua trupe parecem ter se arrependido das experimentações e neste lançamento trazem de volta tudo aquilo pelo o que o bom e velho The Vaccines fez sucesso, uso excessivo de guitarras e letras que falam sobre a juventude e amadurecimento. Destaque para Someone to LoseYour Love Is My Favorite Band, Take It Easy, Put It On a T-Shirt Out Of The Street, que resumem muito bem o espírito jovial da banda.

Young American é a canção que mais destoa do resto no álbum, tocada totalmente de maneira acústica, ela tem uma melodia bem mais lenta e apresenta uma vibe mais intimista. Rolling StoneSurfing In The Sky também não são tão agitadas quanto as outras canções, mas ainda assim possuem refrões grudentos que não as deixam tão reflexivas e introspectivas.

Apesar da característica experimental do English Graffiti ter suas qualidades, é bom ver o The Vaccines voltar a fazer a música que os  alavancou para o sucesso, Combat Sports chega para demonstrar que ainda há um pouco da velha fórmula para ser usada e tem tudo para ser um dos melhores álbuns de 2018.

Bom Comportamento

O enredo de “Bom Comportamento” é todo permeado por incertezas, principalmente sobre as motivações dos personagens. A trama é centrada no relacionamento de dois irmãos, o mais velho Constantine Nikas (Robert Pattinson) e seu caçula Nick Nikas (Ben Safdie).

Após uma tentativa, planejada por Constantine, malsucedida de assalto, Nick, que possui problemas mentais e não consegue discernir muito bem ações boas de más, é preso. Então, o mais velho parte em uma jornada para livrar o irmão da cadeia.

No entanto, não fica muito claro se o esforço do personagem de Pattinson reflete culpa por ter influenciado negativamente o irmão a cometer o crime e depois ter deixado ele ser castigado sozinho ou se ele teme que em algum momento, se continuar preso, seu familiar acabe o incriminando.

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Na odisseia para para livrar o irmão, Constantine enfrenta o pior que o subúrbio de uma cidade tem a oferecer, com cenas recheadas de adrenalina envolvendo perseguições, drogas e violência.

A principal qualidade dessa obra cinematográfica é levar a categoria de “personagens cizentos”, ou seja, que  não se encaixam claramente no rótulo de mocinho ou vilão, mas sim num meio termo entre essas categorias pré-estabelecidas, a um nível extremo. A densidade psicológica do irmãos é trabalhada com muita qualidade.

Constatine representa o “garoto-problema”, é extremamente rebelde e não vê problema em usar qualquer pessoa que seja para atingir suas metas, porém, ao mesmo tempo demonstra ter um enorme afeto pelo irmão, por isso, quando Nick é preso, fica difícil avaliar qual dessas duas características predominam. A atuação de Robert Pattinson entrega perfeitamente o esforço de desenvolvimento de personagem que a trama exige.

Ben Safdie, que além de interpretar Nick, também dirigiu o filme ao lado de Josh Safdie, seu irmão de verdade, consegue fazer uma atuação sublime, ao mesmo tempo que demonstra a deficiência de modo não caricato, consegue impactar o espectador e fazer com que sinta o sofrimento e a inocência do Nikas mais novo.

Os irmãos Safdie apresentam uma obra densa, talvez difícil de digerir, mas que de certa forma é prazerosa de acompanhar devido a adrenalina do enredo e da densidade dos personagens.

 

Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel + Casino (2018)

O álbum mais ambicioso da banda desde o Humbug, que em 2009 através de suas letras introspectivas amadureceu o Arctic Monkeys e fez com que deixasse de ser apenas uma bandinha indie como muitas outras que existem na cena musical.

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Tranquility Base Hotel + Casino rompe violentamente com o conceito do seu antecessor, o AM (2013). No entanto, a ruptura não é completa e ainda há resquícios das melodias pops do álbum de 2013, apesar de nenhuma forma isso predominar na essência do disco. Como exemplo do espírito remanescente do AM estão faixas como One Point Perspective e Four Out Of Five.

Seja pelo ritmo envolvente ou seja pela complexidade das letras, merecem destaque a canção que dá título ao álbum TBH+C, Golden TrunksStar Treatment, sim aquela que abre o álbum com o famigerado verso “I just wanted to be one of The Strokes”.

Apesar da campanha promocional discreta, de toda a ousadia no conceito das músicas, com referências como Blade Runner e 2001 – Uma Odisséia no Espaço e do próprio título do álbum remeter a ocupação da lua pela humanidade, esse não é o trabalho mais diferentão do Alex Turner. Se fosse feita uma escala, ele estaria equidistante da base maisntream do AM e da inovação proposta pelas letras sombrias e reflexivas do Humbug.

Os trabalhos mais introspectivos do Alex Turner, mais até do que o disco de 2009, são a trilha sonora que ele fez para o filme Submarine e o segundo álbum do The Last Shadow Puppets, o Everything You’ve Come to Expect.

TBH+C é uma obra equilibrada e que demanda tempo para os ouvidos se acostumarem, mas a partir do ponto que se acostumam o ouvinte é fisgado de tal maneira que reconhece que é um dos melhores álbuns da banda.

Dias Vazios

O drama independente “Dias Vazios” é centrado na juventude de ensino médio do interior de Goiás. A trama parte de uma premissa aparentemente boba, que é a insatisfação em morar em uma cidade pequena e o desejo de desbravar o desconhecido em uma grande metrópole, mas de bobo o filme não tem nada.

Há dois casais protagonistas, um deles é Jean e Fabiana, que, após terminar o ensino médio se veem divididos entre continuar com a família e a vida que levam no município do interior ou irem para outra cidade. No entanto, inesperadamente Fabiana desaparece e deixa uma sombra de dúvida na comunidade.

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Passam-se alguns anos e outro casal, composto por Daniel e Alanis, tenta desvendar o mistério sobre o desaparecimento de Fabiana. Daniel tem a iniciativa de escrever um livro sobre o caso e mobiliza sua amiga Alanis para ajudar na investigação.

O enredo da película é muito bem construído. Mesmo se passando em linhas temporais diferentes, as cenas protagonizadas por Jean e Fabiana são mescladas com o tempo presente da investigação de Daniel e Alanis. Conforme vai se avançando a tarefa de reconstituição do caso, dores, reflexões e objetivos dos quatro personagens são destrinchados.

A atuação do elenco acontece de maneira pouco natural, porém isso talvez seja explicado pela pouca experiência. Apesar disso, Natália Dantas (Alanis), Arthur Ávila (Daniel), Vinicius Queiroz (Jean) e Nayara Tavares (Fabiana) demonstraram ter um potencial enorme. Não é qualquer profissional que logo em início de carreira consegue interpretar personagens tão densos psicologicamente. Dentro do que se pode exigir nesse contexto, cumpriram seu papel com eficácia.

O longa é dirigido por Robney Bruno e baseado no livro “Hoje Está Um Dia Morto”, de André de Leones.

P.S: Fui assistir esse filme por acaso com um amigo. Estávamos sem fazer nada na Paulista em uma noite de domingo, por isso fomos no CineSesc da Augusta e compramos ingresso para o único filme disponível. Chegando na sala de cinema tinha um grupo de jovens nos nossos lugares, conversamos com eles e foram para outro canto. Tal qual não foi nossa surpresa quando o filme começa e descobrimos que os jovens eram o elenco principal do filme. Sem saber a gente comprou o ingresso para estreia do longa na Mostra Tiradentes, festival que reúne novidades do cinema brasileiro.

Blur – The Magic Whip (2015)

Depois de 12 anos sem lançar material inédito, a banda composta pelos vocalistas Damon Albarn e Graham Coxon, pelo baixista Alex James e pelo baterista Dave Rowntree, volta com um trabalho bom, que honra o seu passado como uma das maiores representantes do britpop dos anos 90, junto com o seu principal rival, o Oasis dos polêmicos irmãos Gallagher.

O álbum contém 12 faixas e foi produzido pelo Stephen Street, que trabalha com a banda desde o seu início. Gravado em Londres e Hong Kong, ele foi lançado pelo selo da Parlophone.

“New World Towers” é a segunda música do disco e tem um ritmo bem intimista e fala na sua letra da vida agitada em grandes metrópoles. O cenário descrito na música remete a Hong Kong, pois há muitas referências a grandes empreendimentos comerciais e letreiros luminosos. Há nela uma reflexão bastante pertinente da solidão que é comumente encontrada no meio da correria do trabalho em cidades grandes. Também há uma crítica velada a quem valoriza mais a manutenção de um padrão de vida do que cuidar das relações pessoais, algo que está dito de forma implícita no refrão “Love, love, so far away. New World Towers”.

A faixa seguinte “Go Out”, é a canção com a melodia e o refrão mais grudentos, isso pode  ser explicado pelo fato de que muitos versos são repetidos exaustivamente. A bateria de Dave Rowntree é o instrumento que mais se destaca, sendo uma das responsáveis pelo ritmo chiclete da música, algo que, diga-se de passagem, não é ruim, pois assim a música se torna divertida e gostosa de se ouvir.

“Ice Cream Man” tem um título que remete a capa do disco, que é um letreiro luminoso em formato de sorvete. Apesar de ter uma letra pouco criativa, chegando ao ponto de “something new” ser repetido em duas estrofes com quatro versos cada, ela tem seu valor por ter um ritmo infantil bem agradável. Conseguir sem simples sem ser simplória é a maior qualidade dessa música, que cativa quem a ouve.

“I Broadcast”, assim como a “New Word Towers”, também fala da vida em uma grande metrópole, mas há nela um foco na vida noturna. A voz de Albarn se adéqua de uma forma sublime com o baixo de Alex James, tornando a música bem dançante e agitada. Apesar de não ter o mesmo protagonismo que teve em “Go Out”, a bateria de Rowntree também contribui para a agitação da canção. O arranjo é construído de forma totalmente harmônica, fazendo com que cada instrumento cumpra seu papel aceitavelmente. Todos esses fatores fazem que essa música seja a melhor do disco.

The Magic Whip compensa todos os anos de espera que os fãs de Blur tiveram que passar, ressuscitando a era de ouro do britpop. Com músicas inesquecíveis e com a melodia gostosa, ele agrada tanto aqueles que preferem algo mais introspectivo e reflexivo, quanto os que curtem músicas para dançar. Servindo como um ótimo meio de relaxar e fugir da rotina estressante das grandes metrópoles. Esse álbum foi um dos melhores lançamentos de 2015.