Ninfomaníaca – Volume 2

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A continuação do aclamado filme de Lars von Trier já tem no seu início marcas da genialidade do diretor, na qual durante o momento em que Joe, a personagem principal, relembra um momento de seus doze anos, há a presença de algumas metáforas visuais que simbolizam uma relação sexual, como uma abelha polinizando uma flor e a correnteza de um rio seguindo seu curso.

O diretor acerta mais uma vez ao estabelecer um enorme contraste entre Joe e o homem que escuta sua história, o Seligman, pois ele revela na trama que é assexuado, isso faz com que o filme se torne muito mais interessante pois mostra uma relação entre mundos extremamente opostos, um repleto de experiências sexuais, fazendo com isso que se torne uma necessidade vital, e outro sem a presença de sequer uma única relação sexual.

Em comparação ao volume 1 esse filme tem muito mais cenas em que são mostradas práticas de desvios sexuais, como sadomasoquismo e pedofilia. Por conta de esses e outros fatos o volume 2 consegue ser um filme mais completo do que seu antecessor, pois não só descreve a ninfomania, mas abre um leque maior de possibilidades para abordagem de outros comportamentos sexuais que são estranhos para maioria das pessoas.

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O modo como a película trata do relação de Joe com sua nova família, Jérome e o filho dos dois, também é louvável, pois mostra como o distúrbio da personagem principal consegue desestruturar completamente seu núcleo familiar, fazendo com que ela neglicencie os cuidados com a criança e consequentemente com que seu marido a abandone.

A parte mais interessante do longa é quando Joe, a mando de seu chefe, começa uma operação que consiste em transformar uma menina com pais criminosos e com uma orelha deformada, que tem o nome de P. na história dela, em uma  criminosa. Nesse processo percebemos como P, é parecida com Joe e também como ela facilmente se adapta a vida de fora da lei.

O modo como Joe chegou ao estado em que estava quando foi encontrada por Seligman é revelado de maneira surpreendente, sendo tal fato construído de forma brilhante com o decorrer do filme. Tal fato é explicado durante uma cena em P. está cumprindo seu papel como criminosa e por conta disso seduz Jérome para pagar uma dívida, nisso em um momento de fúria, Joe aparece com uma arma e aponta para seu antigo marido, porém a arma não dispara e ela é espancada por ele. Depois disso há uma referência ao começo da história onde Joe leva três estocadas na vagina e cinco no ânus, pois Jérome faz o mesmo com P.

Como se não bastasse o final surpreendente da história de Joe, a história do filme em si também traz uma acontecimento muito inusitado, pois Seligman se revela um não assexuado e tenta transar com Joe enquanto ela dorme. Isso  faz com que o filme seja bastante imprevisível e por isso delicioso de assistir.

Apesar de possuir inúmeros pontos positivos,  o filme em seu conjunto possui também alguns negativos, como o fato da história ser muito longa sem necessidade, pois existe a possibilidade dele ser reduzido de forma que não prejudique o sentido da história e que mantenha seu valor como um ótimo filme.

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Repórteres de Guerra

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O filme “Repórteres de Guerra” trata de uma história real de quatro fotógrafos, chamados Greg, João da Silva, Kevin e Ken, que tem como trabalho cobrir os conflitos na África nos momentos finais do aparheid. Esses fotógrafos formam uma espécie de grupo, que é chamado de Bang Bang Club, que dá nome ao título original em inglês.

Várias cenas do filme focam no fato desses fotógrafos conseguirem tirar fotos de momentos muito difíceis de presenciar, alguns desses momentos são quando Greg testemunha um africano por fogo em outro homem durante um conflito e quando Kevin vê um urubu espreitando uma menina muito faminta, como se ela estivesse na beira da morte. Em ambos os casos os fotógrafos ganharam o Pulitizer pelas fotos. Esses momentos levantam um questionamento sobre a ética do fotojornalismo criada pela National Press Photographers Association, pois uma de suas regras é: “Tratar todos os sujeitos com respeito e dignidade” e pode-se perceber que isso não foi feito nesses casos pelo fato de que ao tirar a foto eles perdem um tempo que poderia ser usado para ajudar essas pessoas.

O filme consegue retratar bem todo o drama vivido pela África durante aquela época, sendo bastante eficaz ao mostrar não só a brutalidade dos conflitos, mas também como a profissão de fotógrafo pode ser bastante perigosa, pois em várias cenas vemos que eles ficam bastante vulneráveis ao cobrir confrontos armados, causando inclusive a morte de um dos jornalistas que integram o Bang Bang.

Apesar de possuir muitos pontos fortes, o filme é bastante previsível em alguns aspectos, como acontece no romance de Greg com sua editora, a Robin, pois logo nas cenas iniciais percebemos de forma clara que os dois iriam se envolver amorosamente.

Ao longo do filme o trabalho desses fotógrafos recebe muitas críticas, tanto de africanos, que não fica satisfeito ao presenciar pessoas lucrando com o sofrimento do povo deles, como da própria imprensa, que diversas vezes se questiona do porquê deles não usarem o tempo das fotos para ajudar as pessoas. Todos esses fatores levam ao suicídio de Kevin, que no filme é tratado adequadamente, tendo proporções apropriadas de drama.

Em linhas gerais, o filme consegue mostrar de uma forma bastante interessante a história real desses jornalistas, tocando em diversos pontos importantes, como os perigos dessa profissão, o comportamento dos fotógrafos diante de tragédias e como isso pode levar uma pessoa a ruína e além de tocar nesses pontos, todos os atores conseguem cumprir minimamente seu papel de modo a tornar o filme um retrato aceitável da realidade desses fotógrafos.

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Nota: 8/10