Bom Comportamento

O enredo de “Bom Comportamento” é todo permeado por incertezas, principalmente sobre as motivações dos personagens. A trama é centrada no relacionamento de dois irmãos, o mais velho Constantine Nikas (Robert Pattinson) e seu caçula Nick Nikas (Ben Safdie).

Após uma tentativa, planejada por Constantine, malsucedida de assalto, Nick, que possui problemas mentais e não consegue discernir muito bem ações boas de más, é preso. Então, o mais velho parte em uma jornada para livrar o irmão da cadeia.

No entanto, não fica muito claro se o esforço do personagem de Pattinson reflete culpa por ter influenciado negativamente o irmão a cometer o crime e depois ter deixado ele ser castigado sozinho ou se ele teme que em algum momento, se continuar preso, seu familiar acabe o incriminando.

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Na odisseia para para livrar o irmão, Constantine enfrenta o pior que o subúrbio de uma cidade tem a oferecer, com cenas recheadas de adrenalina envolvendo perseguições, drogas e violência.

A principal qualidade dessa obra cinematográfica é levar a categoria de “personagens cizentos”, ou seja, que  não se encaixam claramente no rótulo de mocinho ou vilão, mas sim num meio termo entre essas categorias pré-estabelecidas, a um nível extremo. A densidade psicológica do irmãos é trabalhada com muita qualidade.

Constatine representa o “garoto-problema”, é extremamente rebelde e não vê problema em usar qualquer pessoa que seja para atingir suas metas, porém, ao mesmo tempo demonstra ter um enorme afeto pelo irmão, por isso, quando Nick é preso, fica difícil avaliar qual dessas duas características predominam. A atuação de Robert Pattinson entrega perfeitamente o esforço de desenvolvimento de personagem que a trama exige.

Ben Safdie, que além de interpretar Nick, também dirigiu o filme ao lado de Josh Safdie, seu irmão de verdade, consegue fazer uma atuação sublime, ao mesmo tempo que demonstra a deficiência de modo não caricato, consegue impactar o espectador e fazer com que sinta o sofrimento e a inocência do Nikas mais novo.

Os irmãos Safdie apresentam uma obra densa, talvez difícil de digerir, mas que de certa forma é prazerosa de acompanhar devido a adrenalina do enredo e da densidade dos personagens.

 

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