Animais Noturnos

O longa-metragem Animais Noturnos, dirigido pelo estilista Tom Ford, entrelaça na sua trama três linhas narrativas, a principal  é centrada em Susan (Amy Adams), importante curadora de um museu de arte. Essa linha origina outras duas, a primeira é o enredo do livro “Animais Noturnos”, de Edward (Jack Gylenhaal), ex-marido de Susan que envia para ela o escrito cujo desenrolar acontece conforme a personagem de Adams faz a leitura na trama principal e a segunda são os flashbacks que Susan tem da época em que ela e Edward eram casados.

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O destaque do filme é justamente saber encaixar essas três linhas narrativas, o roteiro e a direção, obras do estilista e cineasta novato Tom Ford, são construídos de forma que não há mudanças abruptas na passagem de uma história para outra, mesmo que as três tenham seus enredos próprios. Como já apontado, a linha principal trata de Susan como uma importante curadora de artes, os flashbacks dela com o personagem de Jake têm uma relação mais direta com o enredo original, mas o livro de Edward possui uma narrativa totalmente diversa, visto que é centrado em um pai de família, também vivido por Jake Gylenhaal, que busca vingança depois de um encontro na estrada com um grupo de criminosos liderados por Ray Marcus (Aaron-Taylor Johnson), cuja consequência foi o assassinato de sua mulher, também interpretada por Amy Adams e filha (Ellie Bamber).

Quanto ao elenco, os protagonistas Jake Gylenhaal e Amy Adams cumpriram seu papel e deram a profundidade necessária para os seus personagens, apesar disso, suas atuações não entregaram nada que já não foi mostrado anteriormente, como em O Abutre (Dan Gilroy) e Homem Duplicado (Dennis Villeneuve) no caso de Jake e Grandes Olhos (Tim Burton) e O Vencedor (David O. Russel) no caso de Adams. Isso não acontece por exemplo com a atuação de Aaron-Taylor Johnson ao interpretar Ray Marcus, personagem assassino do livro “Animais Noturnos”, nesse trabalho ele mostrou que se sai bem em películas mais complexas do que aquela baseada nos quadrinhos do Kick Ass (Matthew Vaughn), no qual ele interpretou o justiceiro protagonista. A atuação de Aaron teve seu valor reconhecido ao ganhar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Globo de Ouro, único que Animais Noturnos levou na premiação.

Em linhas gerais, o filme não tem só uma, mas três histórias boas e sua principal qualidade é saber encaixar esses diferentes enredos, além de contar com um elenco competente que soube explorar o psicológico dos personagens.

 

 

 

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Mapa para as Estrelas

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O filme, que é dirigido por David Cronnenberg, faz uma sátira do culto às celebridades, muito comum na sociedade contemporânea, principalmente agora na era de superexposição da internet. Com Hollywood como pano de fundo e com um humor bastante ácido, ele nos apresenta vários personagens, que de início parecem não estarem ligados, mas com o desenrolar da história descobrimos suas conexões.

O longa se vale de alguns estereótipos de celebridades para construir seus personagens, como Benjie, um ator mirim, mimado e prepotente e Havanna Sengrad, atriz com um passado de sucesso, mas que perdeu seu espaço por ter envelhecido, interpretada pela Julianne Moore. Além deles, há também a Agatha Weiss, personagem que se muda para Los Angeles e que queimaduras misteriosas na pele e Jerome Fontanna, motorista de celebridades, aspirante a ator.

Cronnembeg exagera em alguns pontos ao mostrar como o mundo das celebridades é doentio, mas como a proposta da obra é apresentar um humor sádico, seu valor não diminui por isso.

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O filme tem um elenco  ótimo e já garantiu  o prêmio de melhor atriz de Cannes para a Jualianne Moore, que também conseguiu uma indicação ao Globo de Ouro pelo mesmo trabalho. Mas para mim, quem rouba a cena é a Mia Wasikowska, que faz o papel de Agatha Weiss. Robert Pattinson, que faz o Jerome e Jonh Cussack, que faz o Dr, Stafford, pai de Benjie também estão excelentes.

Nota: 9,6/10